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Atração de talentos, a grande questão

Para Fernando Taralli, da VMLY&R, e Valéria Barone, da Gut, o desafio de atração e retenção de talentos cresce diante da transição de jornada de trabalho

Isabella Lessa
6 de outubro de 2021 - 19h04

Valéria Barone, da Gut, e Fernando Taralli, da VMLY&R: agências estão no negócio de atrair talentos

A atração e retenção de talentos se impõe como maior desafio das agências em diversas instâncias: na adoção do trabalho híbrido, nas concorrências e no próprio modelo de negócios dessas empresas.

No segundo debate entre lideranças de agências nesta quarta-feira, 6, Valéria Barone, managing director da Gut São Paulo e Fernando Taralli, CEO da VMLY&R, foram enfáticos ao ressaltar a dificuldade que o mercado publicitário tem em atrair talentos hoje, depois de quase dois anos de pandemia. Porque antes da Covid-19, esse já era um dos principais obstáculos. Mas, ao longo do home office, os profissionais de agências se viram diante do aumento de demandas dos clientes, mas sem a melhor parte de se trabalhar em uma agência: a troca do presencial, observa Taralli. Para Valeria, o modelo híbrido é fator de atração e retenção, mas a disputa com plataformas e com os clientes está ainda mais acirrada. E há, também, as pessoas que trabalham para empresas de fora sem precisar sair de casa, o que reforça a escassez de talento. Ambas, Gut e VMLY&R, têm vagas em aberto.

“As pessoas querem qualidade de vida. Somos uma indústria que opera milagres, mas isso tem um ônus. Esta é uma boa oportunidade de discutir o modelo de relação com as pessoas, com os clientes. É preciso empatia mutúa, não só entregas sofridas”, disse Taralli. Ele conta que a agência adotou um sistema online para informar e verificar a ida aos escritórios. Em dois dias da semana, o expediente será remoto e a agência terá capacidade para alocar 70% da equipe.

Transparência nas relações

A atração e relação de talentos passa, também, pela necessidade de agências e clientes discutirem relações mais saudáveis. No que diz respeito às práticas abusivas nas concorrências, Valéria afirmou que a responsabilidade é tanto de agências quanto de clientes. “Concorrência sangra demais as pessoas. Ninguém quer mais trabalhar 12 horas por dia, de fim de semana. Isso não é mais aceitável”, comenta. Ela conta que certa vez, um cliente pediu para a Gut, que evita entrar em concorrências, para participar de uma. Em vez de aceitar, a empresa deu um ponto de vista sobre a estratégia de mídia do cliente. Esse tipo de conversa, diz ela, pode ser muito mais eficaz para ambos os lados.

Para Valéria, as concorrências tais qual existem poderiam acabar. Taralli acredita que isso é difícil de acontecer, mas que é absolutamente necessária a conversa para que haja processos mais empáticos. “Concorrência é quase um show fictício. Trabalhos são jogados fora depois da concorrência. Quando vi isso acontecer, fiquei absolutamente triste”.

Ao final do painel, o moderador Alexandre Zaghi Lemos, editor-chefe do Meio & Mensagem, pediu aos convidados que sintetizassem as vantagens da agência representada por cada um. Sobre a VMLY&R, uma rede global e pertencente à WPP, maior holding de publicidade do mundo, Taralli disse que o trunfo é ter um caráter local com uma infraestrutura internacional. “Não somos inferiores tampouco melhores”, afirmou, se referindo ao modelo da Gut. “Agência independente é melhor na atração e retenção de talento. Há mais agilidade nas tomadas de decisão, porque a hierarquia é muito menor. Para os clientes e para os talentos, vejo isso como algo melhor”, disse Valéria.

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