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Wendy Clark: “Transformar é olhar o mercado e aceitar o que ele está procurando”

CEO global da Dentsu analisa seu primeiro ano à frente da companhia que segundo ela passa por um momento histórico, além de comentar grandes temas do mercado, como a integração entre criatividade e dados

Roseani Rocha
6 de outubro de 2021 - 10h26

“Das nossas 45 mil pessoas eu encontrei provavelmente 20 ou 25 em um ano”, conta Wendy Clark, CEO global da Dentsu, que abriu o segundo dia do Maximídia, na trilha Conexão Global. Em 1º de setembro, ela completou um ano na função, que assumiu em plena pandemia e num momento em que, segundo ela, a companhia passa por um momento histórico. “É um momento importante para mim e para todos refletirmos sobre quanto trabalho fizemos, quanto aceleramos a transformação dos negócios e que há muito mais a fazer. Mas, às vezes, você chega tão perto das árvores que não consegue ver a floresta. E a floresta parece realmente diferente, temos ótimas árvores e estou empolgada com o que vem em um, dois anos e por tudo que virá para nós”, acrescenta.

 Quando assumiu, ela anunciou haver um plano de crescimento baseado no tripé “simplificar, transformar e liderar”. Ao público do Maximídia, explicou que a empresa declarou publicamente sua intenção de reduzir o grupo Dentsu globalmente de 160 para seis grandes marcas de agências, processo que deverá ser concluído em 2022 e que está indo em velocidades diferentes pelo mundo, dependendo da situação do negócio em cada país, mas está na raiz dessa simplificação, com reflexos como menos entidades legais, menos complexidade em termos de funcionários, sistemas e conexões. Por considerar a companhia “locally driven”, explica que executivos locais têm a responsabilidade pela estratégia e determinam velocidade com que ela será atingida. Na América Latina, por exemplo, a missão cabe ao CEO LatAm, Juan Pedro Mccormack (JuanPe), mas todos globalmente devem compartilhar igualmente melhores práticas e falhas, com as quais também se aprende, destaca a executiva.

“Quando falamos em ‘transformar’ é realmente olhar para o mercado e aceitar o que ele está procurando agora. E são soluções integradas. Quando converso com os clientes, eles falam essencialmente em três prioridades: novas fontes incrementais de crescimento, estão procurando por aquela velocidade e agilidade, que acabei de mencionar, e estão buscando eficiência. Precisam ter operações eficientes, parcerias eficientes com agências”, explicou, sobre o segundo pilar.

Essa transformação também é definida por ela como a habilidade em integrar capacidades de ponta a ponta para marketing e comunicações, mídia, criação, CXM, tendo os dados no centro. “Um terço dos nossos clientes está usando mais de um dos nossos serviços, trabalhando em diferentes capacidades na rede e é uma enorme oportunidade para nós continuarmos crescer”, comentou Wendy.

Finalmente, sobre o terceiro ponto, ela analisa que é preciso tanto ter habilidades humanas de liderança quanto produtos e serviços líderes. Citou o exemplo da Salesforce, com a qual trabalha globalmente e que segundo Wendy existe um relacionamento de martech.

Wendy Clark ressalta que o Brasil está entre os 10 principais mercados para a Dentsu globalmente e é um ponto-chave, inclusive pela importância que tem aos clientes globais atendidos. “Trabalhamos com 95 dos 100 maiores anunciantes do mundo em nosso portfólio. Nesse sentido, o Brasil está na lista de todo mundo, quando falamos desses clientes globais”, disse.

Inclusive considerando suas experiências locais em empresas pelas quais passou anteriormente, como Coca-Cola e DDB revela que uma das coisas que mais gosta sobre o País é a “criatividade arraigada e inata do mercado”, que ela julga capaz de contribuir para o negócio da rede em todo o mundo. O grupo, aliás, em novembro passa a ter Fred Levron (ex-FCB) como novo CCO global e o que segundo Wendy o atraiu à Dentsu foi a horizontalidade do negócio, que permitira a ele ter acesso a dados que ajudem a melhorar os resultados criativos do negócio.  E por falar em dados, para ela duas coisas são importantes na discussão do futuro sem cookies: de um lado a privacidade como realidade que o mercado trabalha e, de outro, os consumidores, que não querem mais que seu dados sejam usados sem que saibam como. Para ela, a indústria está fazendo uma “pausa” para observando essas demandas ainda ser capaz de oferecer outras coisas que os consumidores também querem e das quais se beneficiam, como personalização, customização e targeting apropriado.

Com receita tendo crescido 17% ano contra ano no último trimestre, Wendy se mostrou cautelosa a associar o aumento da relevância estratégica das agências ao momento de pandemia, mas diz que a indústria se recuperou e considera que a Dentsu está em linha com seus concorrentes: “Sentimos muita confiança sobre nossas perspectivas.

Com o tema direcionado às demandas sobre diversidade e inclusão não apenas na representatividade do trabalho das agências, mas também para que elas tragam isso para suas próprias equipes, por exemplo, dando mais espaço a creators negros, Wendy Clark disse tratar-se de “um dos grandes imperativos à nossa frente” e revela muitas conversas também entre os clientes. “Acho que é uma grande reavaliação. As pessoas estão reavaliando como querem gastar seu tempo, onde querem trabalhar, então, isso acelera nossa necessidade de recrutar todas as fontes de pessoas e ser uma cultura inclusiva e acolhedora, onde todos vejam que podem construir sua carreira conosco”, pontua.

Segundo ela, a companhia tem feito esforços, em seus programas de estágio pelo mundo, em recrutar pessoas de backgrounds diversos, assegurando que haja oportunidade àqueles em comunidades com menor condição social, comunidades BIPOC (black, indigenous & people of color), olhando para gênero, habilidade, assim como para sexualidade ou orientação sexual. Olhar para isso, faz as lideranças serem julgadas, lembrou Wendy, numa companhia jovem, cuja média de idade é de 27 anos, já que para as novas gerações essa pluralidade é mais cara. Ela lembrou que na questão de gênero, a companhia assumiu um compromisso de ser equânime até 2025, incluindo no time de lideranças. “Que mulheres jovens na nossa organização possam acreditar que elas serão a próxima CEO da Dentsu”, disse.

No final, ao ser questionada sobre quando deverá visitar alguma das praias brasileiras novamente, já que viajar e visitar praias são um de seus programas de lazer preferidos, Wendy diz estar “se coçando” para entrar novamente num avião, já que passava 52 semanas por ano num avião e agora não tem feito isso nem a trabalho:  “Tive experiências maravilhosas visitando o Rio várias vezes e São Paulo. E voltarei a esse lindo país, de belas pessoas cheias de criatividade e ideias e humanidade. Adoro o Brasil! Então, acredite, estarei de volta assim que for seguro passar um tempo com vocês e com todos os nossos times e clientes”.  

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