Meio&Mensagem
Publicidade

Maximídia

05 A 07 DE OUTUBRO - HOTEL UNIQUE - SÃO PAULO/SP

Impacto social é inovação por si só

Levis Novaes e Rita Romão explicam as particularidades de trazer a diversidade para as equipes e como isso está diretamente ligado aos investimentos em inovação e desenvolvimento de negócio

Carolina Huertas
5 de outubro de 2021 - 15h40

Executivos do mercado criativo debatem a necessidade da valorização da diversidade como ponto essencial para inovação e crescimento (Crédito: Eduardo Lopes/Imagem Paulista)

A primeira trilha de diversidade do Maximídia 2021 explorou a importância da equidade nos processos de inovação e diversidade dentro das empresas, a urgência de acelerar os processos de inclusão, os lugares de protagonismo nessas mudanças e a importância de se pensar em um ambiente propicio para essas ações. A trilha “Mais pessoas, menos robôs” contou com a presença de Levis Novaes, co-fundador e diretor de estratégia da Mooc e Rita Romão, líder de estratégia da Think Eva.  

Enquanto algumas pessoas ainda acreditam que o ato de traz a diversidade para dentro da empresa é apenas uma ação social, os palestrantes mostram que na verdade a questão está diretamente ligada ao desenvolvimento do negócio e os processos de inovação. Pois a importância da diversidade como parte do negócio e não só como um assunto secundário já é inclusive comprovada por estudos.  

“Quanto mais olhares, mas conseguimos compreender a expansão que isso traz para a consciência das pessoas e do negócio. Às vezes questionam o que custa para uma empresa pagar um inglês para uma pessoa, no qual a sua contribuição, talento e perspectiva talvez seja algo que ninguém na empresa tenha. Não é sobre dar acesso, é uma troca, se por um lado ela está possibilitando algo, por outro esse candidato que tem uma vivência diferente daquele contexto, também vai entregar algo”, explica Levi.  

Mas para trabalhar essa inclusão, é preciso estar a tento a outras duas palavras que caminham junto com ela: diversidade e equidade. E diante disso, prestar atenção no fato de que a equidade mostra a importância de entender as diferentes realidades presentes no contexto de desigualdade e a partir disso pensar em ferramentas que sejam customizadas, específicas e enderecem essas particularidades.    

“Equidade é procurar em cada pessoa, quais são os pontos que conseguimos adicionar em termos de ferramentas e acessos para que elas realmente se desenvolvam e atinjam o maior dos seus potenciais. Diante da pluralidade, é preciso entender quais são os fatores que aceleram e dificultam os processos e a partir daí ajustar o caminho para alcançar lugares comuns e objetivos maiores”, explica Levi. “É compreender que ao ter uma pessoa negra na sua equipe, ela vai ter questões específicas que vão ser endereçadas e precisam ser acolhidas para que o trabalho dela possa ser mais seguro, melhor impulsionado e frutífero”, completa Rita.  

E para a construção desse ambiente adequado, segundo os palestrantes, é necessário também estar atendo ao perigo do ‘negro único’, ao achar que uma única pessoa presente no espaço já o torna representativo. Situação que além de não ser o suficiente, pode ser até mesmo violenta, pois coloca o peso da diversidade em uma só pessoa. Ao ter mais de uma pessoa negra, ou de outra minoria, no ambiente, além de evitar essa situação, se cria também um ambiente seguro para expor opiniões.  

“Se eu me sinto à vontade e pertencente, eu coloco ali as minhas opiniões e inevitavelmente eu começo a ter mais inovação, porque mais pessoas vão trazer seus conhecimentos, experiências e habilidades. Esse ambiente com inclusão, diversidade e equidade faz com que a gente saia do óbvio, e isso é inovação”, afirma a líder de estratégia.  

Levi esclarece que a partir da visão da equidade, é possível catalizar as diferenças, entendendo que cada pessoa está em uma perspectiva de se lançar de um ponto destinto, enquanto a igualdade parte de um princípio de que todos saem do mesmo lugar, quando na verdade existem uma série de interseccionalidade que podem favorecer ou dificultar o caminho.  

Soluções de impacto social: o caminho para a inovação  

Entender que a diversidade dentro das empresas é elemento essencial na equação da inovação e do progresso, significa enxergar e ressignificar o que é visto como inovação no sentido literal da palavra. Para explorar a questão, Rita cita Thamyra Thâmara, fundadora do GatoMídia, que diz que toda vez que você pensa em uma solução para um problema social, isso gera impacto social e isso é inovação por si só.  

Dentro disso, Levi comenta que ao distribuir inteligências para dentro dos grupos da sociedade e usar as ferramentas para fazer as comunidades crescerem começam a se criar novas formas de pensamento. E isso tem um impacto simultâneo nas relações sociais e de crescimento de negócio.  

“Isso causa impacto tanto nas pessoas, quanto em termos de negócios. É muito potente. Não é só sobre um resultado e também não é só sobre as pessoas, mas é como conseguimos associar e entender os pontos chaves que conectam as coisas e no final os dois lados ganham. Quando falamos de mercado parece que tudo tende a um lado só ganhar, mas na verdade não. Tem como irmos plugando pontas que conseguem ser mais efetivas nas vidas das pessoas e ao mesmo tempo, o negócio está ganhando com aquilo e de uma forma mais orgânica”, ressalta Levi.  

Para o diretor de estratégia, a inovação está exatamente nesse ponto de como conseguir associar coisas que não necessariamente estavam diretamente associadas, pelo menos não na cabeça das pessoas em termos de negócio e agora começam a fazer parte, se tornando impossível desvincular. “É como o ESG, cada vez mais precisamos de uma sociedade sustentável para que ela continue progredindo. E quando eu falo sustentável é em vários sentidos, tanto em meio ambiente, mas também de como diversos grupos sociais evoluam e não só alguns em específico”, diz.  

O tempo é agora  

Falar sobre inovação nos dias de hoje é falar também sobre a velocidade em que as coisas acontecem. Aceleração de transformação foi um termo muito falado no último ano, mas o crescimento da diversidade na composição do quadro de funcionários precisa acompanhar essa urgência.  

“Para que essa mudança aconteça de fato e na velocidade necessária, essas evoluções precisam acompanhar a ambição que as empresas buscam evoluir, por exemplo, seu financeiro. É simples assim. Às vezes você tem uma ambição de crescer a empresa por N motivos, é preciso ter a mesma ambição para crescer o quadro de diversidade da empresa e entender que essas coisas estão diretamente relacionadas. ”, ressalta Levi. 

 Mas o executivo comenta que ao pensar no quanto as coisas ainda precisam evoluir para que as pessoas pretas estejam nesses espaços, desde iniciativas para criarem seus próprios negócios à crescimento dentro de grandes corporações, vê que o caminho ainda é longo.  

“Como essa escala pode não ser tão demorada? Por muito tempo essas pessoas não estiveram nesses espaços e quando falamos sobre projetos de aceleração, é sobre endereçar e entender quais são os pontos chaves para que os processos sejam mais rápidos. Não dá pra demorar a mesma coisa que demorava antes, não era igual para todo mundo. Nós percebemos nitidamente que para determinados grupos as coisas evoluíam muito rápido e era tão simples como ‘eu já te conheço e para você será mais rápido’, para nós nunca foi assim. Então, como conseguimos fazer todo esse tempo perdido acontecer? E acontecer de forma rápida”, questiona o profissional.  

E essa aceleração, segundo ele, é menos sobre caridade e mais sobre necessidade. De acordo com Levi, é preciso de um olhar de diversidade para que as coisas aconteçam de uma forma mais rápida e isso só acontece quando param para ouvir, entendem as reais necessidades q eu isso impacta em uma alteração de negócios que vai se reestruturando, começando a ser mais efetivo e a entendendo as necessidades da sociedade.  

Nesse caminho, Rita pontua que se as pessoas acharem que o problema da diversidade é apenas uma questão do outro, ela jamais será resolvida. E por isso as marcas, as agências e as corporações precisam se ver como parte do problema e a partir daí, começarem a pensar em construir soluções em conjunto, entendendo que o processo de desenvolvimento de uma pessoa preta tem suas particularidades. 

“Existe uma questão no processo de colocar pessoas pretas no mercado de trabalho que envolve não só as nossas habilidades técnicas. Eu vim de uma universidade que não está entre as grandes, eu não falo inglês, então como chegam as primeiras oportunidades? Chegam a partir do momento em que as pessoas conseguem ver que as habilidades e conhecimentos que eu tenho tem valor e vão trazer uma perspectiva inovadora para aquele espaço. Só que eu mesma não reconhecia essas habilidades em mim, então como eu vou sentir que ainda sim minha entrega é relevante? É preciso entender essas habilidades intuitivas”, esclarece Rita. 

A profissional elucida que uma pessoa atua em um coletivo, por exemplo, se movimenta criativamente, desenvolve gestão e logística e pode ser um candidato muito interessante para estar dentro das empresas. Mas se as empresas continuarem fechadas apenas para a valorização dos conhecimentos da academia, o caminho continuará difícil de ser trilhado. Segundo a palestrante, nessa questão entra também os questionamentos próprios de autoestima que afetam o grupo.  

“Foi muito difícil compreender que a minha trajetória tinha valor e que o pouco era suficiente. Não, não era sorte, não era porque as pessoas eram legais comigo, era porque o meu conhecimento era sim valoroso. E quando temos projetos como o Goma, que vão falar sobre mentoria e desenvolvimento de pessoas negras, eles olham para essas questões. E quando falamos sobre não só contratar, é entender que essas pessoas só vão ser desenvolvidas se elas se sentirem acolhidas”, diserta Rita.  

Para ela, é importante estar em um lugar que a acolha e que compreende aquilo que a atravessa. E esse processo de não ser a preta única e ter esse ambiente seguro, impulsiona também as mulheres negras que estão ao seu redor, pois esses processos são coletivos. Mas a executiva também alerta que nesse processo de transformação do mercado de trabalho as marcas, apesar de serem agentes de transformação dessa estrutura, não são os protagonistas desse movimento.  

“As marcas ainda acham que podem ser as protagonistas das histórias que elas contam quando querem falar de pautas sociais. Elas querem se conectar com as pessoas, mas ainda sim serem as protagonistas do discurso como se elas estivessem inventando a roda. Mas, desculpa, o protagonismo não é de vocês e nós estamos lutando por ele há muito tempo. O tempo é agora, mas nós viemos fazendo ações para vivenciar esse futuro que imaginamos. Se conectem com as pessoas, mas isso não é sobre você”, completa Rita.  

Publicidade

Compartilhe

Comente

“Meio & Mensagem informa que não modera e tampouco apaga comentários, seja no site ou nos perfis de redes sociais. No site, quando o usuário ler a indicação Este comentário foi apagado’ significa que o próprio comentarista deletou o comentário postado. Não faz parte da política de M&M gerenciar comentários, seja para interagir, moderar ou apagar eventuais postagens do leitor. Exceções serão aplicadas a comentários que contenham palavrões e ofensas pessoais. O conteúdo de cada comentário é de única e exclusiva responsabilidade civil e penal do cadastrado.”

Patrocínio Master

Realização