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Maximídia

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Fugindo do pensamento linear

Nova realidade do mercado exige que profissionais inovem na gestão, inclusive de suas próprias carreiras, analisam Adriana Barbosa (PretaHub) e Amanda Graciano (Cubo Itaú)

Roseani Rocha
5 de outubro de 2021 - 21h47

Adriana Barbosa, do Preta Hub e Amanda Graciano, do Cubo Itaú, no painel que encerrou o primeiro dia do Maximídia 2021

Mesclando temas como empreendedorismo, carreira, diversidade e futuro do trabalho, o último painel do primeiro dia de Maximídia – dado que a apresentação prevista de Tiago Leifert teve de ser cancelada na última hora por um problema familiar do apresentador – contou com Adriana Barbosa, CEO da PretaHub e Amanda Graciano, head de startups do Cubo Itaú.

Ao discutirem os desafios das diferenças geracionais na volta ao trabalho e também as diferenças que possa haver entre grandes empresas e startups, Amanda avalia que “não tem resposta”, já que se trata de uma situação pela qual ninguém passou, e com essa velocidade. No entanto, acrescentou, há questões importantes a serem consideradas, como aprender a reaprender – e citou a si mesma como exemplo, formada em economia, diz que também tem sido demanda a “sair da minha caixinha”. E para pessoas da sua geração e mais novas, além de o trabalho não estar à frente de todas as outras coisas da vida, muitas vezes, as pessoas também não querem se dedicar a uma única fonte de trabalho e renda.

É preciso lidar com necessidades dessa geração, mas entender o outro. “É preciso ir além do business, porque assim como as máquinas, as pessoas pifam. Sou uma mulher negra e questão da diversidade é jogada na minha cara todo dia”, disse. No fator geracional, lembrou que há empresas hoje com quatro, cinco gerações trabalhando junta, o que adiciona complexidade à gestão.

Quando o assunto mudou para o empreendedorismo “por necessidade” brasileiro, protagonizado especialmente pela população negra, seus desafios e onde se insere a transformação digital, Adriana analisa que desenvolver pensamento ligado a uma cultura digital ainda tem muitas questões a serem superadas, sendo as principais: a infraestrutura tecnológica (ela pontuou como mesmo dentro de uma cidade como São Paulo o acesso à internet pode ser diferente nas áreas centrais e na periferia); compra de dados, que não é tão acessível; e a própria questão de entender o que é ser um ser digital. “Nas casas PretaHub montamos espaços físicos para que as pessoas pudessem produzir. Lançamos um marketplace, mas ainda tem gente que se questiona se pode estar lá. Como um empreendedor que tem que fazer tudo sozinho, gerenciar estoques, redes sociais, comunicar. E ainda é preciso combinar capacitação técnica e ferramentas, entender o que está disponível”, pontuou.

Já Amanda, sobre onde está meio do caminho entre a capacitação de skills subjetivas e técnicas, avalia que escolas e faculdades ensinaram um pensamento muito linear e cartesiano, que funciona para muitas carreiras e um mundo menos digital, mas não em outros lugares, como o seu mundo. “Vou ter que lidar com 20 redes, um novo código surgindo, que dados virão daí? É um navegar no desconhecido”, disse, lembrando que vão perdendo essa capacidade, uma vez que querem saber tudo antes. O problema, disse, é que não temos essa agenda do futuro agora. Para lidar com esses novos desafios, o que se pode fazer é tentar formar um arcabouço técnico.

Na reta final do painel, o tema se voltou mais ainda ao social. Questionadas se o “s” do ESG precisava ser mais enfatizado, Adriana reconheceu que a sigla começou ganhar força pela questão ambiental e mesmo sobre o g, de governança, ainda se fala pouco. Para ela, o “s” é importante, pois sem pessoas não é possível salvar o planeta: “É preciso trazer a dimensão humana, da equiparação de salário, inclusão, critérios de impacto social, diversidade como premissa”.

E Amanda ressalta que a grande diferença entre as startups e as outras empresas acaba sendo seu crescimento e acelerado, mas em outros aspectos, elas se comportam como empresários de outros perfis, com pouca diversidade e poucas mulheres em posições de liderança. O que fez Adriana emendar um questionamento: “Cria-se políticas nas empresas, mas porque startups que são ‘mais ágeis’ não fazem também isso mais rapidamente?”.

Para a executiva do Cubo, em geral, times começam diversos quando o fundador/a é. Nos outros casos, o assunto só entra em pauta, quando a empresa já está num patamar mais elevado de crescimento, prestes a virar unicórnio. “Para além do racial e de gênero, times diversos têm de incluir backgrounds e culturas diferentes. Histórias, escolas, regiões diferentes. Ainda que seja mais desafiador gerir isso”, argumentou Amanda.

Adriana, do PretaHub, jogou para o público do Maximídia o questionamento: “Por que não conseguimos avançar, mesmo com tanta pesquisa sobre a lucratividade da diversidade, essa pauta ainda é tratada como tabu?”.

Segundo, elas, os caminhos para acelerar a mudança estão em aceitar o problema, traçar objetivos com metas e indicadores de monitoramento; ter recurso alocado e equipe dedicada, assim como promover transformações para que essa diversidade chegue à camada decisória da empresa – como investir na formação do chamado “middle management -, para que a diversidade suba a hierarquia, em vez de ficar restrita a estagiários e trainees, que obviamente são importantes, mas precisam ter oportunidades de continuidade e ascensão na carreira.

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