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Era de mudanças afetivas e co-criativas

Inaiara Florêncio, head de marketing e comunicação na Galena, e Gabriela Moura, Creative Data Leader da Soko, sublinham importância de um ambiente saudável para a diversidade e criatividade

Thaís Monteiro
6 de outubro de 2021 - 17h02

No segundo painel da trilha “Marcas e sociedade”, Gabriela Moura, Creative Data Leader da Soko, e Inaiara Florêncio, head de marketing e comunicação na Galena, compartilharam sua visão do que é necessário para construir uma indústria publicitária mais criativa. O painel foi mediado por Regina Augusto, colunista do Meio & Mensagem.

Inaiara Florêncio, head de marketing e comunicação na Galena, e Gabriela Moura, Creative Data Leader da Soko, opinaram sobre a importância criativa da diversidade (Crédito: Eduardo Lopes/Imagem Paulista)

Ao iniciar o debate sobre como o mercado vem avançando na diversidade, Gabriela afirmou que reconhece esse esforço sendo feito, mas em ritmo de passos de bebês. Apesar das marcas já sentirem necessidade de se unir a causas sociais, elas ainda temem temas espinhosos, principalmente ligados a política. Mas o que Gabriela ressalta é que toda a existência carrega um demarcador social que, por sua vez, é político e que toda reação é válida.

“Hoje, não é possível não falar de política. Quando uma marca tem coragem suficiente para abraçar esse tema, há uma faca de dois gumes. O backlash também é interessante, porque você coloca informações novas para uma pessoa que não reconhecia essas informações”, compartilhou. Entretanto, a creative data leader sublinha que anunciantes devem apoiar conversas e não pautá-las, pois esse último é papel dos grupos de minoria política.

Como a origem do posicionamento parte de uma estrutura organizacional, Inaiara criticou a falta de pluralidade nas empresas. “Se não tem diversidade, não tem inovação. Se você pega um time que não consegue ver os afetos, como você vai fazer uma comunicação”, questionou. Nesse sentido, a executiva defendeu práticas de empoderamento do time não apenas na base, mas nas lideranças. Ela acredita que a geração Z trará uma mudança sistêmica ao mercado, tendo em vista que esse é um grupo mais exigente, com potencial grande de consumo e que prezam diversidade.

Ainda no campo dos afetos, o afeto no sentido de carinho é visto como de suma importância para Gabriela. É a essa falta de acolhimento que ela atribui o baixo número de retenção de colaboradores diversos. Em um processo seletivo recente, a líder recebeu um jovem negro que afirmou ter medo de anexar sua foto no seu currículo por receio de ter as vagas negadas por ser negro. Ela própria teve uma promoção refutada porque o gestor decidiu contratar um profissional de fora da empresa que fosse mais parecido com ele.

“O nível de retenção é muito baixo porque o lugar não é acolhedor. Por que a pessoa é calada? Por que ela não abre a câmera? As relações de trabalho ainda são muito frias. Quando falamos de diversidade, precisamos falar de afetividade, carinho. Há tecnicidades sobre como escrever um bom texto. Eu quero que ele seja feliz e não chore antes de sair de casa para trabalhar comigo”, colocou.

O afeto também está relacionado a toxicidade. Para Inaiara, o ambiente em que os profissionais estão inseridos deve ser favorável para que todos se sintam confortáveis para dar ideias, inclusive aqueles que não fazem parte das áreas de criação. Segundo ela, a pluralidade leva a melhor criação de conteúdo, pois diversidade de vivência se iguala a diversidade de ideias, pontos de contato com o consumidor e novos consumidores.

“Uma pessoa só não consegue furar todas as bolhas. Eu tenho várias contas nas redes sociais para o algoritmo me ajudar e mostrar coisas específicas. Além disso tudo, nas agências vemos um modelo mais antigo de se criar. Como podemos engrandecer o que os criadores estão fazendo nas suas comunidades? Temos que nos colocar em lugares iguais e cocriar. O cocriar extrapola”, compartilhou.

Para mudar as estruturas de fato, Gabriela participa da Chapa Preta, uma chapa formada somente por profissionais negros, que concorre aos cargos do Clube de Criação.

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