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Quebras na cadeia de produção e a economia em 2022

Economista-chefe da XP Inc, Caio Megale, fala sobre a nova etapa que os mercados vão enfrentar, com desaceleração, alta nos custos e o impacto da vacinação

Taís Farias
5 de outubro de 2021 - 14h12

Caio Megale, economista-chefe da XP Inc, no Maximídia (Crédito: Eduardo Lopes/Imagem Paulista)

Quais serão os caminhos para crescer em 2022? Essa indagação é o disparador da Trilha Growth – Caminhos do Crescimento, na edição 2021 do Maximídia. Em sua estreia no evento, o painel recebeu Caio Megale, economista-chefe da XP Inc, para ajudar a desvendar os caminhos complexos que o mercado global deve percorrer no próximo ano. Pensando nisso, o executivo volta no tempo e divide o desempenho econômico global ao longo da pandemia da Covid-19 em três etapas. A primeira marcada pela retração dos negócios e as restrições, com o enfrentamento a fase inicial e mais sombria da pandemia. Na sequência, com o início de uma retomada, o que se viu foram mercados em alta e juros baixos. “Como havia muita ociosidade, dava para crescer sem se preocupar”, conta Megale.

Segundo o executivo, agora, adentramos uma terceira fase desse movimento em que “esse crescimento muito forte começa a gerar distorções”, define o economista. Como distorções, podemos entender o avanço da inflação e a alta nos custos de produção, fruto das quebras de cadeia. Para ilustrar o fenômeno, o executivo traz o exemplo do setor automotivo. Um automóvel pode levar até 250 diferentes chips em sua composição. Esses chips, por sua vez, tem uma longa cadeia de produção com cerca de sete a oito etapas, distribuídas ao redor do mundo. Hoje, a produção dos chips é afetada por problemas no meio dessa cadeia, em etapas que são desenvolvidas do sudeste asiático, região que ainda enfrenta um cenário crítico com relação a Covid-19.

São essas quebras nas cadeias de suprimentos que geram falta de produtos e aumentam os custos de produção, globalmente. Para Megale, a resposta para essa equação já existe – vacina. “Tem que vacinar todo mundo. Não só por conta da questão humanitária, que é importante, mas porque está tudo integrado”, defende o economista-chefe da XP Inc. Ainda que grandes potências, como os Estados Unidos e a Europa, tenham avançado em vacinação, é preciso um esforço global para conter as falhas nas cadeias de suprimentos.

De olho no cenário brasileiro, outros fatores se somam a isso e geram preocupação. O Brasil é um País que conta com um histórico de memória inflacionária, explica o executivo. Ou seja, muitos setores e contratos nacionais ajustam a inflação a partir dos índices do ano anterior. Dessa forma, o índice atual se torna a inflação passada mais a expectativa futura. Isso torna mais difícil de conter o impacto na economia. Outra questão é a taxa de câmbio. O real, que já estava depreciado antes da pandemia, foi afetado pelo movimento de desvalorização das moedas durante a crise. Acontece que outros mercados, como Chile, México e Austrália, que também viveram esse processo já conseguiram retornar aos valores pré-pandemia. O Brasil ainda não. “Nossa taxa de câmbio nunca voltou”, aponta Megale, citando questões como os riscos fiscais, incertezas políticas e problemas com a vacina que contribuíram para a desvalorização.

Além disso, a crise hídrica também vai impactar o contexto nacional, gerando ainda mais custo para as produções e apertando os orçamentos dos brasileiros. “Esses fatores domésticos agravaram o problema inflacionário aqui dentro”, define o economista-chefe da XP Inc. Dessa forma, as perspectivas para 2022 são as de um ano com nuvens carregadas. A economia global, lidando com os altos cultos de produção, vai desacelerar. No Brasil, o Banco Central já reagiu às distorções elevando o patamar da taxa de juros, o que dificulta o acesso a crédito. Com as eleições cada vez mais próximas, a taxa de câmbio deve seguir flutuando.

Quando a análise é feita por setores da economia, a vacinação e os seus efeitos ainda vão determinar as dinâmicas. “Vamos para um cenário de normalidade? Se a resposta for sim, ainda há um bom espaço para reabertura e crescimento”, reflete o economista. Para ele, o setor de serviços e eventos podem ser impactados positivamente com o avanço da vacinação e uma retomada no ritmo de negócios. A agropecuária, que sofreu com o clima neste ano, também deve ir bem em 2022. A preocupação, por sua vez, fica com a indústria que sofrerá com custos de produção mais altos, restrições de insumos, demanda começando a cair e uma taxa de juros elevada que vai impactar no crédito dos consumidores.

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