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Mastercard: “O Pix ajudará a acabar com o dinheiro”

João Pedro Paro Neto também destacou o cenário em que o marketing está muito pressionado, mas segue fundamental para ajudar empresa a pensar na vanguarda

Roseani Rocha
30 de setembro de 2020 - 12h17

Paro Neto: inteligência artificial como aliada para lidar com o ritmo de transformações no mercado (Crédito: Eduardo Lopes)

Ter muito tempo para planejar as ações da empresa é cada vez mais algo do passado, como deixou claro o CEO da Mastercard, João Pedro Paro Neto, ao abrir o terceiro dia do Maximídia, na sessão Papo de CEO. O executivo destacou que, em especial após esse contexto de pandemia, traçar estratégias de marketing diz respeito a ter flexibilidade cada vez maior naquilo que se faz. “O marketing é mais pressionado nesse sentido, o que exige flexibilidade em todas as pontas. Enfrentar coisas que não sabia, descobrindo como reagir melhor a necessidades que aparecem a cada momento e responder tão bem como quando tinha cenários mais definidos”, pontuou Paro Neto.

Diante de uma infinidade de formas de chegar e abordar os clientes, ele revela que o que está trazendo vantagens é a utilização de inteligência artificial, por agilizar as análises. Ainda mais, porque o marketing, destaca o CEO, é fundamental para fazer a empresa “pensar lá na frente”, assim como ajuda a encantar seus diferentes públicos. No entanto, sofre uma pressão enorme causada pelas transformações e precisa ser mais rápido, ainda que isso implique eventualmente em erros. “Não tenho problema nenhum em errar, mas é preciso acertar mais que errar. E as discussões sobre o que os clientes querem, isso acontece todo dia uma”, afirmou.

No aspecto diferenciação dos concorrentes, o CEO da Mastercard diz que a companhia busca responder a isso de três formas: por meio de seu P&L (relatório de Lucros e Perdas), discutindo sobre como diversificar receitas, numa estratégia “multi rail”, indo além da commodity do cartão; explorar de forma eficiente a grande matéria-prima dos dados, pois o dado sozinho “não é nada”; e buscar constantemente novas ideias, como empresa, para oferecer algo que vai encantar clientes. Com a inteligência artificial, diz, é possível já hoje encantar 100% dos clusters individualizados. “O mundo está realmente one-to-one, consigo fazer uma promoção só para você”, disse o executivo para quem a diferenciação ocorre justamente quando se chega ao coração da pessoa, pois “Paixão é o que faz a diferença. E paixão não se compra”.

LGPD e Pix

Quando o assunto migrou para a Lei Geral de Proteção de Dados, que acabou de entrar em vigor, e suas influências sobre o trabalho da companhia, o CEO da Mastercard ressaltou que foi beneficiada por ser uma multinacional, pois as discussões sobre o tema começaram ainda na década de 1990, nos EUA, depois foram para Europa e Ásia. Agora, chegou ao Brasil, já como uma lei robusta e que demanda mais competência para lidar com ela, mas à qual a empresa de certa forma já estava adaptada. Segundo ele, o desenho estratégico para usar as informações utiliza dados numéricos sem entrar em questões pessoais, como nome e endereço. Paro Neto lembrou que o próprio CEO global da Mastercard, Ajay Banga, diz que dados são o novo petróleo, mas ressaltou que é preciso saber como usá-los, já que o dado por si não faz nada. Pensando nisso, a Mastercard evoluiu de ter “três, quatro” cientistas de dados há quatro anos, para cerca de mil profissionais globalmente, no momento. Todos atuando em questões como melhorar gestão de negócio, segurança, autenticação comportamental. “Tudo isso envolve uma ciência tremenda. É um negócio fantástico!  O marketing hoje é uma ciência muito diferente, o que nos pressiona e gera um stress enorme, mas positivo”, revela Paro Neto, para quem por outro lado, isso tudo deve melhorar a vida de um consumidor quando este, por exemplo, for buscar um financiamento imobiliário, já que no cenário do open banking, todos terão as mesmas informações e terão de se esforçar para fazer a melhor proposta ao cliente.

Já ao falar sobre o Pix, o CEO da Mastercard diz que se trata de algo que se soma ao conceito de acabar com o papel moeda no mundo. Ele ainda considera isso longe de acontecer, mas com o Brasil bem posicionado para tal. Para ele, o Pix é mais uma forma de pagamento eletrônico e experiência que precisa ser comunicada às pessoas. A Mastercard, disse, já opera com o sistema em 39 países, por acreditar que isso pode contribuir para coisas como sair do atual patamar de 46% de transações sem dinheiro para algo entre 70% e 90%. “O Pix fará parte do ecossistema para acabar com o dinheiro e essa economia suja”, disse Paro Neto.

Também garante que essa ambição requer democratizar serviços. Por isso investe em iniciativas como o Banco Maré (projeto na Favela da Maré, no Rio de Janeiro) e assumiu globalmente, há cinco anos, o compromisso de incluir 500 milhões de pessoas, o que já atingiu, dobrando a meta para um bilhão, estando na casa hoje dos 600 milhões. Isso, porque segundo o CEO não adianta acabar com dinheiro e ficar num cluster, pois é preciso atender todos os segmentos e promover educação financeira.

Inovação e novo modelo de empresa

O processo de inovação na companhia passa por laboratórios e equipes globais próprias, assim como pelo incentivo a startups. Na América Latina, todo ano são escolhidas 20, sendo sempre três ou quatro delas brasileiras. Outra frente que colabora com a inovação são as fusões e aquisições. Segundo Paro Neto, de dez anos para cá isso se intensificou e a Mastercard investe milhões em compras que auxiliem em seus processos de inovação. Mas, destacou, é necessário entender profundamente aquilo que se quer fazer, já que isso dá trabalho e envolve investimentos.

Outras frentes a que as equipes de inovação têm se dedicado são parcerias com universidades, a inclusão financeira no âmbito das pequenas e médias empresas, em especial por estarem sofrendo após a pandemia, para quem têm inventado novas ferramentas; o projeto Smart Cities (parceria com Harvard); e ações que permitam a empresa, que está segundo ele muito bem no atendimento a pessoas físicas conquistar terreno entre pessoas jurídicas. Isso porque ao passo que o primeiro grupo movimenta US$ 50 trilhões, o segundo tem US$ 250 trilhões de potencial. “Se abocanharmos um pouquinho desses 250, já crescemos muito”, disse.

Já ao refletir sobre como serão as empresas após a pandemia, João Pedro Paro Neto, assegura que serão diferentes, numa economia colaborativa. Citou a própria Mastercard que há cerca de quatro anos tinha um modelo de home office, uma vez por semana, mas pouca gente fazia, por diferentes razões. Agora, todos foram obrigados e mesmo depois dos escritórios abertos, a frequência neles é perto de zero. Assim, Paro neto acredita que o novo modelo será mais virtual, o que demandará construir uma cultura, inclusive ajudado os líderes a se adaptarem a essa forma remota de liderar, o que segundo ele não é fácil e requer uma comunicação eficiente. “Nos meus tempos de Kellog’s, aprendi que duas coisas são fundamentais em liderança: comunicação e pessoas. O resto é secundário”, aposta o CEO da Mastercard, para quem “dom” é ótimo para quem tem, mas a maioria que não tem, precisa aprender. Nesse sentido, a pandemia, diz, ajudará a todos também evoluir como ser humano.

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