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Ludmilla: a estratégia por trás de um hit

Cantora e compositora Ludmilla descreve quais são os pontos principais para uma carreira musical de sucesso

Thaís Monteiro
30 de setembro de 2020 - 18h04

Há uma década trabalhando com música desde o funk até, mais recentemente, pagode, Ludmilla tem caminhado para uma carreira internacional. A cantora já tem parcerias com Snoop Dog e Cardi B, mas o exterior não é o foco de seu trabalho ainda. Presente na 34ª edição do MaxiMídia, Ludmilla contou que se concentra em conquistar novos públicos no Brasil e apontou que o funk ainda deve ser reconhecido pelas marcas.

 

Gerar buzz nas redes sociais é um dos pilares da estratégia de Ludmilla (Crédito: Reprodução)

De acordo com Ludmilla, sua origem no funk fez com que ela fosse rotulada pela elite e vista com preconceito por uma parte do Brasil que ainda vê com maus olhos o ritmo por sua origem nas comunidades do País. Na sua estratégia para ir atrás dessa parcela, a cantora visa apostar em novos hits e continuar a explorar seu lado artístico nos diferentes gêneros.

Além da elite, Ludmilla frisa que o funk também é sub-reconhecido pelas marcas. “Na propaganda, o funk pega muito mais gente porque ele tem muito mais público. É só ver o número de streams. Nas plataformas, o funk tá junto com o sertanejo. Agora falta as marcas olharem com carinho, apoiar a galera nova e ver que tipo de relação e resultado você ganha apoiando quem está começando”, afirmou.

Ludmilla contou que apesar de sua carreira ter começado há cerca de dez anos, foi só há cinco que as marcas começaram a engajar nos seus projetos ou convidá-la para participar das campanhas porque sua música começou a ganhar sonoridades mais pop. No início, essa relação acontecia por conta das músicas que faziam sucesso, mas hoje a cantora já participa mais ativamente dos projetos e seleciona apenas iniciativas que condizem com o que ela acredita e consome como cliente. O projeto normalmente vem de uma marca e ela e seu time, de 50 colaboradores diretos e indiretos, trabalham com inputs.

Carreira e divulgação
Uma carreira que abrace esses ritmos diversos demanda estratégias de divulgação diferentes. O pagode por exemplo, tem um bom resultado no YouTube, então a cantora e seu time de marketing e comunicação planejam um investimento de conteúdo e mídia para cada projeto.

Ludmilla atribui o sucesso de uma música pela repercurssão entre o público — se eles cantam logo na introdução durante um show e se os fãs que a abordam, ao invés de chamá-la pelo nome, começarem a cantar uma de suas produções. Apesar disso, ela reconhece a força das redes sociais para escalonar uma canção. “Buzz nas redes sociais faz muita diferença. Tem muita informação e saindo muito rápido. Música boa você tem em todos os cantos, mas você tem que causar, criar a sensação de expectativa e ansiedade”, argumentou.

Na divulgação de seu último single, Cobra Venenosa, a compositora fez um apagão nas suas redes sociais e, em seguida, começou a publicar conteúdos originais no formato de um noticiário trazendo polêmicas as quais Ludmilla estava envolvida na época e denunciando casos de racismo. A mesma estratégia de publicar indicações de uma nova música foi usada em Verdinha. A origem para a ideia, no entanto, é mais antiga. Durante a Copa do Mundo de 2018, Ludmilla publicou uma composição de brincadeira nas suas redes e a repercurssão entre o público foi tamanha que a fez pensar em uma música com o trecho publicado como refrão. A movimentação deu origem ao single Din Din Din. A partir de então, ela e sua equipe adotaram o plano como assinatura.

As redes sociais também ajudaram o mercado musical a ter acesso a dados sobre o sucesso das canções e maior contato com o público. Com o maior número de conteúdo e informações, a atenção do público também ficou limitada e a indústria da música tem passado por uma transformação de apostas maiores em singles do que álbuns. Segundo Ludmilla, essa mudança está de fato em curso e ela aposta nesse modelo por conta da rapidez do público em querer lançamentos mais rápidos, por vezes com um intervalo de um mês entre músicas, e porque a construção de um álbum limita o artista no conceito e músicas daquela era da carreira, não permitindo a flexibilidade de lançar uma música nova atropelando as demais do álbum ou quebrando com a narrativa do momento.

Nesse processo, os artistas começaram a também acumular a função de produtores de conteúdo. “Tem que ser produtor de conteúdo, mas para mim o mais importante é a arte. Mas a gente tem que alimentar esse amor que eles dão e retribuir com mais trabalho e alguns desses trabalhos são conteúdos. Hoje somos mais demandados, antes tinha uma vala entre o fã e o artista. Nós víamos em show e camarim, mas muito pouco. Prefiro agora”, disse.

Sobre o futuro do mercado musical com a adoção de formatos como lives e drive-ins, Ludmilla vê com ceticismo. “O mercado já está mudando, mas acho que é momentâneo. Estamos aprendendo um jeito novo de fazer show, mas espero que isso passe logo. Na live você atinge um público muito grande e isso vai ficar de aprendizado. As pessoas já estão voltando a trabalhar, então não está dando tanto engajamento. Eu vou usar mas eu não quero que esse seja o único canal. Acho que pode ajudar lá na frente para transmitir um recado mas não que vá durar pra sempre”, avaliou.

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