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28 DE SETEMBRO A 01 DE OUTUBRO DE 2020 | ONLINE

DAN e Wunderman: times diversos fazem entregas diversas

Vivian Zeni, da Wunderman Thompson, e Patrícia Alexandre, da DAN, debatem sobre a inclusão de negros no mercado de trabalho e a manutenção dessas pessoas nas empresas

Amanda Schnaider
29 de setembro de 2020 - 15h30

Patrícia Alexandre e Vivian Zeni falam sobre diversidade no mercado de trabalho (Crédito: Eduardo Lopes)

Na trilha Diversidade – Quando mais é mais: equidade e inclusão, desta terça-feira, 29, na 34ª edição do Maximídia, Vivian Zeni, coordenadora de comunicação e marketing da Wunderman Thompson Brasil, e Patrícia Alexandre, gerente de recursos humanos da DAN, falaram sobre a inclusão de negros no mercado de trabalho e a manutenção e evolução dessas pessoas dentro das empresas, até a conquista de cargos de liderança.

Vivian comenta que, apesar das empresas caminharem para incluir negros em suas equipes, elas ainda têm muito o que avançar na questão. A coordenadora diz que a Wunderman tem um programa de equidade racial desde 2017, que tinha como meta ter 20% do quadro de funcionários composto por negros e pardos até 2020. “Batemos essa meta, estamos com um pouco mais de 24% e essa equipe mais diversa tem ajudado a construir entregas mais diversas também”, afirma.

A gerente de RH da DAN, Patrícia, concorda com Vivian e avalia que incluir os negros em processos seletivos e programas de estágio é importante sim, mas que é preciso manter essas pessoas na empresa e desenvolvê-las para que um dia cheguem aos cargos de liderança. “Para mim, o maior desafio dos negócios é manter as pessoas dentro das empresas, preparando o clima para poderem se sentir acolhidas”, reforça.

Para manter os negros nas empresas, Patrícia afirma que é preciso preparar a organização e reeducar as pessoas sobre igualdade para que não se sintam desconfortáveis no ambiente de trabalho. “Na DAN, temos uma comitê dentro do pilar de diversidade, que são apoiadores dessas pessoas”, exemplifica. A inclusão verdadeira tem que vir de cima, e não só do RH: “Este tema está na pauta dos executivos da empresa. Ainda não fechamos uma meta, fizemos um censo para entender como estamos e depois vamos seguir com as ações”, diz.

A Wunderman também aposta na conscientização de seus funcionários e lideranças, segundo a coordenadora de comunicação e marketing. “A Wunderman tem um trabalho bem forte de RH, junto com a Empregue Afro, que faz um trabalho e conscientização com as lideranças e de ouvir os profissionais negros, um canal aberto para que denúncias possam ser feitas”, completa.

Inclusão genuína ou oportunismo
As executivas comentam as inciativas de Magalu e Bayer de ter um programa de trainee exclusivo para negros, que foi criticado por ser, eventualmente, prática de racismo. “Me assusta entender quanto a sociedade brasileira não conhece a formação social do Brasil e o processo de colonização. Essas ações são necessárias para que as lideranças possam atingir a população negra”, aponta Vivian. A gerente de recursos humanos da DAN afirma que é preciso começar esse processo de inclusão verdadeiro de alguma forma. “Vi uma entrevista da Luiza Helena [do Magalu] em que ela falou que sabia que sofreria críticas pelo programa de trainee, mas que precisava começar de algum lugar”, diz.

Apesar disso, Patrícia entende que há,, sim marcas e empresas que são oportunistas e avalia que isso é preocupante, mas acredita que “se as empresas fizerem de forma genuína agora, os resultados vão vir depois. Esse resultado virá daqui a um tempo, mas que há empresas surfando a onda, isso não tenho dúvidas”. A coordenadora de comunicação e marketing da Wunderman diz que essas discussões sobre inclusão e diversidade sempre existiram, mas agora é possível dar voz a essas pessoas e a internet tem contribuído para isso. Entretanto, Vivian alerta:  “Precisamos fazer discussões profundas no Brasil, para além das hashtags e quadros pretos nas redes sociais”. Para ela, é preciso discutir esse assunto com conversa, diálogo para mudar o problema estrutural da sociedade.

Ambas citaram ações as quais acreditam que podem ajudar a mudar esse pensamento da sociedade sobre igualdade e inclusão. Patrícia diz que isso deve começar na infância, com a educação das crianças tanto pelos pais quanto pelas escolas. “Precisamos ter exemplos, senão não conseguimos evoluir”. Vivian afirma que é preciso ter uma equipe diversa para ter entregas diversas. “Times diversos fazem entregas mais diversas e atingem o público alvo de uma forma mais efetiva. Para as agências, a diversidade não é importante só porque é importante, mas porque ajuda o negócio”, diz.

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