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Levy, do Safra: “No meio de 2021, teremos superado a crise”

Para Joaquim Levy, diretor do banco Safra, Brasil crescer entre 4% e 4,5% em 2021 e 3% em 2022 é factível

Roseani Rocha
28 de setembro de 2020 - 17h07

Do ponto de vista “puramente econômico”, momento é de quase euforia, segundo Joaquim Levy (Crédito: Eduardo Lopes)

Em conversa com o diretor de conteúdo do Grupo Meio & Mensagem, Jonas Furtado, Joaquim Levy, diretor de relações para o mercado e estratégia econômica do banco Safra, abriu as discussões da trilha Growth no evento, cujo propósito é discutir caminhos para a retomada do crescimento.

Engenheiro naval de formação, com doutorado em economia pela Universidade de Chicago, Levy ao ser questionado sobre em que momento da retomada estamos exatamente respondeu que “quase de euforia do ponto de vista puramente econômico”, mas ressaltou que o País continua com um problema sério, ou seja, um grande número de óbitos que indica que a pandemia ainda não foi dominada.

Essa euforia, vem então da injeção de dinheiro intensa à população por parte do governo, junto com uma “normalização” da saúde – na verdade, sair do pico da crise -, o que levou as pessoas a terem otimismo maior. Ele citou pesquisa divulgada hoje sobre o sentimento da indústria e destacou que há anos o resultado não estava tão positivo e que os indicadores, mesmo em serviços, têm melhorado.

“Há razoes para otimismo ou a situação era tão ruim que os números agora parecem bons?”, instigou o moderador do painel. Segundo Levy, a melhora é concreta.  Citou como exemplos, o fato de os números de uma pesquisa de crédito terem ultrapassado bastante os níveis de 2019 e que toda a construção civil está mais dinâmica que há um ano. Segundo ele, boa parte disso, se deve ao fato de que o governo distribuiu R$ 50 bilhões por mês, durante a pandemia, o que corresponde a algo entre 8% e 10% do PIB mensal. “É como se tivéssemos crescido 10% em relação a onde estávamos há um ano. Esse sentimento de liberdade, justifica uma retomada rápida da economia”, afirmou.

Para este terceiro trimestre o crescimento deve ficar, segundo ele, entre 10% e 15%, variando de acordo com o ponto em que cada setor ou empresa estavam no começo da crise. E os últimos três meses do ano devem manter muito do impulso visto particularmente no terceiro trimestre. Mas alertou para a necessidade de equilíbrio, porque se por um lado o governo não continuar injetando dinheiro poderá fazer o País voltar a enfrentar o que estava tentando solucionar, de outro, não pode achar que deu certo e continuar gastando por tempo indeterminado. Já há receio sobre esse gasto.

Sobre 2021, Joaquim Levy começou lembrando o fato de que o País passa por uma situação que não vivia há 30 anos, taxa de juros no nível tão baixo quanto está, mas, disse, tudo ano que vem dependerá do caminho tomado e da evolução da dívida do governo. Caso este continue gastando sem se preocupar com volume, a coisa pode dar errado, levando à perda de confiança que existe neste momento, em juro mais alto e pessoas na defensiva no consumo. “Calibragem será fundamental”, alertou. Sobre uma nova CPMF, Levy não foi taxativo, mas ponderou que pessoas mais vulneráveis por um lado precisam ser protegidas, mas é preciso estudar como trazer a economia a bons patamares de volta, com segurança.

Para Levy, o Estado existe para responder a situações complexas e grandes que pessoas individualmente não podem resolver e a maioria dos liberais entende isso, mas isso não quer dizer que caiba ao Estado fazer tudo. No Brasil, disse, o Estado entra onde não é suficiente a iniciativa privada, numa atuação suplementar. E a pandemia é uma situação de emergência, que afetou todos ao mesmo tempo, com milhões de pessoas impossibilitadas de trabalhar. Mas assim que se tira a cabeça da água, é preciso pensar em nova sorte de problemas e soluções.  Já sobre teto do gasto público, diz ser uma proteção para a população saber que amanhã não terá sua poupança confiscada ou o risco de a inflação voltar. E afirmou que o mercado “como um ente impessoal” tem questionado o governo sobre a seriedade desse compromisso, que demanda disciplina.

Consumo e perspectivas

Sobre a questão em relação ao risco de trazer de volta a inflação ao estimular o consumo ou se o incentivo ao consumo é obrigação como política econômica, Joaquim Levy afirmou que as sociedades capitalistas crescem pelo consumo, mas é necessário o equilíbrio entre consumo e investimento. Levy argumenta que o consumo em si não é ruim, mas o próprio governo se só gasta e não sobra nada para investir em novas indústrias, estradas melhores e escolas, também não ajuda a melhorar a economia. Como uma empresa, que precisa de tempos em tempos fazer investimentos.

Para falar sobre números para o ano que vem, Levy lançou mão do relatório trimestral de inflação do Banco Central, que segundo ele é tido como uma pequena Bíblia para o que está por vir. Assim, a previsão para este ano é queda de 5% na economia, contra uma previsão de 10%. E, em 2021, crescimento entre 4% e 4,5%. “Isso significa que no meio do ano que vem teremos superado a crise, porque estaremos num ritmo melhor do que estávamos em 2019”, afirmou, com o cuidado de lembrar que a vida ainda não terá voltado ao normal, inclusive porque as perdas, para algumas famílias, foram definitivas. Mas do ponto de vista econômico será possível ter aproveitado o bom momento das exportações, taxas de juros favorável e oportunidades de investimento.

Com isso, os setores mais beneficiados devem ser agricultura (a despeito da previsão de que o fenômeno climático La Niña atrapalhe um pouco), comércio e infraestrutura. Neste último, com a ressalva de que o governo não pode “mandar sinais trocados”, porque se trata de algo que depende muito do investidor privado, que precisa saber que vai receber de volta. “Não pode mudar regra, cancelar concessões, como algumas cidades têm feito”. Ele também se mostrou otimista em relação à capacidade do País em energias limpas, como a eólica e solar, que, em 20 anos, continuarão sendo de ponta e acredita que o Brasil tem se inserido na chamada nova economia, em que reinam startups e outras empresas digitais. Destacou, neste ponto, o fato de grandes varejistas terem aberto suas plataformas a pequenos comerciantes, o que segundo ele é uma democratização extraordinária da economia.

Finalmente, ao analisar o cenário global, Joaquim Levy disse haver “liquidez à beça”, mesmo com a Europa voltando a ter pequenos surtos e os EUA vivendo “um momento especial”, ou seja, as tensões pré-eleições, o que deve estar resolvido em seis ou oito semanas, o que aumenta a capacidade global de retomada. Também destacou que a crise atual é diferente daquela em 2008 e que chegou aqui em 2016 – de grande endividamento, por uma “exuberância excessiva”, que levou a uma ressaca de um grande ciclo econômico, em que foi necessário reduzir dívidas, desalavancar. “Nossa crise tem a ver com a pandemia, retirado o risco, o tecido geral da economia tem chance de voltar a ter crescimento rápido. É um pouco do que temos visto aqui, por isso crescimento de 4% em 2021 e 3% em 22 são factíveis”, pontuou Joaquim Levy.

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