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Maximídia

1 E 2 DE OUTUBRO DE 2019 | HOTEL UNIQUE, SÃO PAULO - SP

Diversidade na comunicação: um problema de todos

Representantes da Coca-Cola, Wunderman Thompson e Publicis Brasil contam sobre os programas que vem implementando para reduzir desigualdade racial e de gênero em suas empresas

Bárbara Sacchitiello
2 de outubro de 2019 - 12h20

Da esq. para a dir.: A moderadora Luciana Bastos (da Goldfish Talent); Helena Bertho (Coca-Cola); Andrea Assef (Wunderman Thompson) e Domenico Massareto (Publicis Brasil) – Crédito: Denise Tadei

De acordo com dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 55% da população do País se declara preta ou parda. Os tons desse quadro demográfico, no entanto, não aparecem quando se olha para o grupo de funcionários das grandes agências de publicidade ou para os altos cargos hierárquicos de grandes empresas que atuam no Brasil. A necessidade de diminuir a desigualdade racial – e, junto com ela, os desequilíbrios de gênero e os que enfrentam a população LGBT e as pessoas com deficiência – foi tema de um dos painéis do Maxímidia, que mostrou exemplos práticas de empresas do setor que vêm procurando reduzir essas desigualdades da porta para dentro.

Publicis Brasil, Wunderman Thompson e Coca-Cola mostraram como trabalham diferentes temas de inclusão para que, internamente, as condições de seus funcionários sejam mais igualitárias. Há dois anos, Domênico Massareto, chief creative officer da Publicis, conta ter sentido um incômodo que o fez pensar em uma alternativa para ampliar a presença de mulheres na área de criação da agência. “Fizemos uma reunião para discutir uma campanha sobre o Dia Internacional da Mulher. Quando olhei, estávamos em oito homens, naquela sala, querendo fazer algo direcionado às mulheres. Aquilo foi a gota d’água”, revelou.

Para tentar mudar esse quadro, o CCO e outras pessoas da agência desenvolveram o projeto Entre, que em 2019 teve sua segunda edição. A iniciativa consiste em um curso gratuito, de três meses de duração, voltado a universitárias que pensam em trabalhar na área de criação. Ministrado por profissionais da agência, o curso reúne ensinamentos mais práticos sobre o cotidiano das tarefas de criação, além de noções de recursos humanos, programação e tecnologia. “Pesquisamos sobre os motivos que fazem com que a área de criação seja ainda muito masculino e descobrimos que as mulheres acabam sendo desestimulados a ingressar na área ainda na universidade. Então, achamos necessário agir no processo de formação dessas profissionais”, contou. Em duas edições, o programa já recebeu 60 universitárias.

Já na J. Walter Thompson, a questão que começou a ser trabalhada desde 2017 é a falta de profissionais negros no mercado de agências de publicidade. Andrea Assef, diretora de comunicação da agência, conta como o assunto passou a ser uma pauta importante para a cúpula da empresa. “Em um determinado dia, o Ricardo John (na época CCO da agência e, atualmente, CEO e CCO da FCB Brasil) me chamou na sala dele e perguntou quantos profissionais negros tínhamos na agência. Tive de reconhecer que não tínhamos praticamente nenhum. Então, naquela hora, ele disse que iriamos começar imediatamente a tentar mudar essa realidade”, relembrou.

Desse episódio nasceu o 20/20, programa criado pela agência com a proposta de elevar para, no mínimo, 20%, a presença de profissionais negros em áreas estratégicas até o ano de 2020. Andrea conta que, quando o projeto começou, a agência tinha 3% de profissionais que se declaravam negros. Agora, o índice é 14%. “Ao longo desse processo notamos que era necessário contar com pessoas experientes nesse assunto e passamos a trabalhar com a ONG Empregue Afro, que nos ajuda a selecionar profissionais para o nosso quadro. Não se trata apenas de contratar pessoas negras mas de promover uma nova cultura dentro da agência para receber essas pessoas. Mais do que uma reparação histórica, essa é uma necessidade de negócios. Em um País que possui mais de 55% da população negra, não há como não olhar para essas pessoas e não incluí-las”, disse Andrea. O projeto 20/20 continuará na nova gestão da agência, que agora começa a concluir o processo de fusão com a Wunderman, tornado-se a Wunderman Thompson.

Do lado do anunciante, a questão de incluir pessoas de diferentes gêneros, classes sociais, orientação sexual e etnias é algo também importante. Na Coca-Cola há quatro comitês criados especialmente para discutir esse assunto internamente. Um deles é voltado às pessoas LGBT; outro às mulheres; outro à questão racial e o último, para pessoas com deficiência.

Communications manager da marca no Brasil, Helena Bertho aproveitou sua participação no palco do Maximídia para fazer uma provocação à plateia. Após perguntar quantos presentes se identificavam como negros e apontar o baixíssimo índice de resposta, a executiva declarou que aquilo era um claro sinal de que as coisas precisam ser modificadas. “Precisamos refletir o mercado que atendemos. A realidade do Brasil é bem diferente da que temos nas grandes companhias. Temos um desequilíbrio natural no mercado, sobretudo na questão racial, porque há um problema estrutural e não resolvido no País e todos somos vítimas desse problema, tanto os brancos quanto os negros. As empresas que são líderes de mercado têm a responsabilidade de apontar a velocidade dessa mudança porque, quando elas fazem isso, as demais empresas também seguem o exemplo”, revelou Helena, que também é conselheira voluntária do grupo Publicitários Negros.

A profissional terminou sua participação convidando a todos, independente da posição hierarquica, a começar a provocar alguma mudança positiva em prol da inclusão e da diversidade. “Assumam a liderança que vocês possuem no lugar em que estiverem e influenciem no seu raio de ação. Puxem as discussões e chamem parceiros para participar delas. O mundo mudou e a velocidade dessa transformação está cada vez mais rápida. Se não quiserem promover uma mudança porque é o certo a ser feito, façam porque é a diversidade também é algo lucrativo”, pontuou.

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