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“Trabalho duas vezes mais que Martin Sorrell”

Fundadora da BETC aconselha mulheres a brigarem por espaço e homens a entenderem porque um mundo mais equilibrado é melhor


28 de setembro de 2016 - 16h29

Mercedes Erra veio ao #MaxiMídia2016 disposta a provocar. A cofundadora da BETC, uma das grandes agências da França e que possui operações em outros países – inclusive no Brasil – é uma das vozes mais ativas na discussão da igualdade de gênero e, embasada em números e dados internacionais, tentou alertar os presentes sobre os riscos que toda a indústria corre ao manter o pensamento de que as coisas são como são – e assim devem permanecer.

 

Mercedes Erra (Crédito: Celina Filgueiras)

Mercedes Erra (Crédito: Celina Filgueiras)

Assumidamente feminista, a espanhola, que passou praticamente toda a vida na França, diz que ainda sente na pele – e na consciência – o peso e a culpa da condição feminina em uma sociedade construída e ainda gerida por homens. “Valemos menos, ganhamos menos e somos menos valorizadas não por culpa dos homens, mas por uma consciência que nos acompanha desde quando nascemos. É como se algo determinasse que temos nos contentar com nosso pequeno espaço, tendo sempre os homens à frente”, criticou.

Segundo Mercedes, “é mais difícil mudar a própria consciência do que convencer o outro a mudar de ideia”. Por isso, ela deu conselhos práticos às mulheres que atuam na área da comunicação e em todos os demais setores. “Verifiquem, questionem, reclamem. As mulheres não têm a cultura de reclamar. Eu mesma passei cinco anos ganhando menos que meus sócios da BETC porque nunca procurei me informar a respeito de nossos salários”, exemplificou.

Ciente de que nada melhor do que números para descortinar a sociedade para os reais problemas da condição feminina, Mercedes, que faz parte do Fórum Mundial das Mulheres, exibiu dados que mostram que, na América Latina e na região da Ásia-Pacífico, praticamente não há mulheres no comando de grandes companhias. Em termos salariais, a diferença também é grande. Nos países desenvolvidos, os homens ainda ganham, em média, 25% mais que as mulheres que exercem as mesmas funções e que possuem as mesmas qualificações.

Outro índice preocupante, na opinião de Mercedes, é a carga de trabalho não-remunerado ainda imposta às mulheres. A expressão diz respeito basicamente às tarefas domésticas, aos cuidados com a família e a criação dos filhos. “Cerca de 75% de todo o trabalho não remunerado no mundo é feito por mulheres. Os homens, inconscientemente, não se enxergam com essa responsabilidade. E tendo que administrar a casa, o marido, os filhos e as demais tarefas não-remuneradas, sobra pouco tempo para a mulher se planejar para ser presidente de uma empresa”, criticou Mercedes, usando a si mesma como exemplo para falar da alta carga de trabalho feminina. “Tenho certeza que trabalho o dobro que o CEO do grupo WPP, que falou aqui no evento mais cedo. Porque além de todas as tarefas da agência, eu também tenho as responsabilidades de minha casa e dos meus cinco filhos”, disse Mercedes, em referência à Martin Sorrell, que enviou um vídeo especialmente para o #MaxiMídia2016.

Após sua apresentação, Mercedes participou de um debate sobre a evolução da condição feminina na comunicação e seus impactos. Participaram da conversa a diretora-geral da Peugeot no Brasil, Ana Theresa Borsari e o CMO da Microsoft Brasil, Maurício Ferreira. A conversa foi mediada por Maria Laura Nicotero, presidente da Momentum. Confira os principais tópicos:

Cotas para mulheres
“Na teoria, sempre fui radicalmente contra cotas porque achava que as mulheres tinham que alcançar melhores posições de acordo com sua capacidade e empenho. Mas depois de algum tempo em passei a entender que, se não nos impusermos uma regra, as coisas não irão mudar”, falou Ana, da Peugeot.

“Eu também era contra cotas e achava esse assunto um absurdo. Com o passar do tempo, compreendi que sempre vivenciamos já um sistema de cotas, mas que era 100% favorável aos homens. Os países que estão lidando melhor com a desigualdade entre os gêneros são aqueles em que as cotas para mulheres em cargos de liderança já foram instituídas. Eu só alcancei uma posição em um Conselho Administrativo depois que a França impôs uma cota mínima para mulheres nesses grupos”, disse Mercedes.

Iniciativas das empresas
“A Microsoft colocou toda a questão da diversidade como pauta em toda a operação global. Não se trata apenas da questão das mulheres, mas também de inclusão racial, das questões LGBT e sociais. Neste ano, abrimos um programa para incentivar a participação de jovens mulheres em projetos de programação. Nos propusemos a abrir a cabeça e a aprender um pouco a cada dia”, colocou Maurício.

“A Peugeot ainda não trabalha com cotas e também não atingiu o equilíbrio de homens e mulheres nos cargos de liderança, mas estamos nos conscientizando nesse processo. Em todo nosso trabalho de publicidade, por exemplo, já é incorporada aos briefings a ideia que nosso público é composto por 50% de homens e 50% de mulheres e que precisamos falar com ambos”, afirmou Ana, da Peugeot.

Participação dos homens
“É fundamental que os homens participem e façam parte dessas discussões porque a maneira como lidamos e posicionamos a figura masculina influencia diretamente na desigualdade. Não devemos ficar chocados ao saber que um homem fica em casa, cuidando dos filhos, enquanto a mulher trabalha. Temos que dar licença paternidade para que eles se envolvam mais no núcleo familiar. Todas essas iniciativas colaboram para a evolução da sociedade”, disse Mercedes Erra.

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